Comércio Eletrônico

maio 16, 2012 publicado por Empreendedor Online

Ainda existe espaço no segmento de compras coletivas?

Existe espaço para tantos sites de compras coletivas?

O modelo de comércio eletrônico (e-commerce) começou a ganhar popularidade com a criação da Amazon em 1995, e em menos de 15 anos revolucionou a maneira como empresas comercializam seus produtos. Durante esse período foram criados diversos tipos de e-commerce (sites de leilão, canais de venda online para empresas, clubes de descontos), sendo o mais recente deles o de Compras Coletivas. O modelo funciona com base em um sistema que oferece coupons com enormes descontos por um tempo limitado (geralmente 24 horas), porém a oferta só se torna válida a partir do momento que um determinado número de coupons é adquirido, caso contrário a compra é cancelada e o dinheiro retornado ao cliente.

Como apreciadores de bons negócios, os brasileiros adotaram rápido a idéia. Apesar do modelo de sites de compras coletivas ter sido desenvolvido nos EUA em meados de 2008, com a criação do conhecido GroupOn, no começo de 2010 já havia empreendedores trazendo o conceito para o país por meio do site Peixe Urbano. O sucesso foi instantâneo, em menos de um ano já existiam milhares de empresas do ramo atuando no mercado. O fato de ser um modelo facilmente copiável, a latente demanda por espaços de anúncio (devido ao baixo número de ofertas expostas em cada site) e a rápida adoção dos brasileiros aos sites de Compras Coletivas influenciaram diretamente nesse boom de empresas no setor.

Algumas características particulares do mercado brasileiro favoreceram o sucesso desse modelo. O crescimento do e-commerce no país tem sido alavancado principalmente pelo aumento do acesso da classe C à internet. Planos de dados mais flexíveis com preços reduzidos e a elevação da renda média desse consumidor tem permitido que uma parcela da população muito mais sensível a preços possa consumir via web. Além disso, o elevado número de cidades em comparação com outros mercados emergentes da América Latina também torna o mercado brasileiro muito mais atraente para essa vertente de negócios.

Ainda há espaço para crescer

Entretanto, de acordo com um estudo realizado pela Frost & Sullivan sobre Compras Coletivas, esse ainda é um mercado incipiente no país. Em termos de penetração de usuários com acesso à internet, os três maiores competidores (Peixe Urbano, GroupOn e Click On) lideram com folga o mercado, que se tornou altamente pulverizado com a entrada de inúmeros competidores. Contudo, o vertiginoso aumento do número de competidores abriu espaço para uma série de tendências derivadas do conceito de Compras Coletivas, tais como a criação dos chamados agregadores, que concentram as ofertas de diversos sites em uma só plataforma, a segmentação de ofertas em um único mercado, como viagens e moda, e sites que revendem cupons que já foram adquiridos.

A mesma conclusão a respeito da imaturidade do mercado também pode ser identificada com relação ao usuário final destas plataformas. Apesar do nível de adoção por parte da população com acesso a internet ser relativamente alto, o grau de interação dos usuários com as plataformas ainda é baixo. Apesar de 70,4% dos entrevistados afirmarem possuir contas em diversos sites de compras coletivas, a grande maioria realiza um número reduzido de compras mensalmente (43,9% afirmaram que não costumam realizar compras) e o valor mensal médio gasto nos sites também é baixo. Interessante notar, entretanto, que o nível de satisfação com os serviços é geralmente alto e dentre os principais pontos de melhoria citados estão o número reduzido de ofertas em cada site e a baixa qualidade dos anúncios, que nem sempre explicam com clareza os detalhes da oferta.

A expectativa para os próximos anos é que haja uma consolidação do mercado, além de um nível maior de maturidade tanto por parte das empresas quanto por parte dos hábitos de consumo dos usuários. Com base nesse panorama, os grandes competidores já estão se preparando através de parcerias estratégicas: o Peixe Urbano recentemente firmou um acordo com o Yahoo! para a criação do Yahoo! Ofertas, o GroupOn se aliou a Visa para oferecer benefícios e facilidades de pagamento e o Click On recebeu altos investimentos do grupo Globo e tem se utilizado da mídia televisiva para divulgar seus produtos. Outras iniciativas incluem alta interação com redes sociais e desenvolvimento de aplicativos móveis para que o usuário possa realizar compras diretamente por meio de seu smartphone.

Novos grandes players estão a caminho

O sucesso desse modelo de compra coletiva não passou despercebido pelas grandes empresas da web. Google, Facebook e Amazon já atuam no ramo e fazem uso de suas poderosasa marcas e plataformas online para divulgar os serviços e angariar as melhores ofertas disponíveis. Por enquanto essas empresas ainda estão testando seus sites de compras coletivas, disponibilizando-os aos poucos em determinadas cidades dos EUA, por isso o impacto delas sobre o funcionamento do mercado ainda não pode ser medido. Entretanto, a expectativa é que suas agressivas estratégias de crescimento subsidiadas pelo capital que detém gerem um desconforto considerável para os grandes players atuais.

Apesar das inovações e da entrada de grandes players no mercado, o diferencial no mercado de Compras Coletivas ainda é o processo de seleção de anunciantes. Por não terem controle sobre a entrega do produto final ao cliente, as empresas do ramo ficam expostas ao sério risco de terem suas imagens danificadas em caso de insatisfação do cliente. Por isso, antes de anunciarem um serviço, um complexo sistema de triagem é realizado para garantir que o usuário final tenha uma boa experiência ao consumir o coupon, os grandes participantes do Brasil possuem equipes de vendas em todas as cidades onde atuam, responsáveis por fazer um contato bem próximo com os potenciais anunciantes.

Resta saber se grandes players como Google e Facebook, mesmo com seus agressivos investimentos e estratégias de divulgação, poderão impactar de forma estrutural um mercado como o brasileiro, que esta em processo de saturação e cujos principais competidores já possuem uma sólida estrutura de negócios.

Fonte: Information Week

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2 Comments

  • O maior diferencial de mercado para o e-comerce é a facilidade logística x mobilidade urbana cada vez mais complicada. É o que eu penso. A população não vai encolher. A quantidade de veículos nas ruas vai continuar aumentando e os engarrafamentos também. Com o alinhamento desses fatores há muita probabilidade de o e-comerce expandir em larga escala.

  • Acredito que o mercado voltado para a grande massa foi totalmente ocupado, mas ainda existe algum espaço nos mercados altamente segmentados e em cidades menores.

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